É meio difícil ficar no mesmo lugar que um paladino que acha que é um maldito SPACE MARINE e ignora o fato que é apenas humano. Ou candangos aleatórios de 16 a 19 anos que não são vítimas de experimentos militares e/ou científicos que por alguma razão são proficientes em tudo. E também é meio difícil esconder meu ódio pelo estado atual da tão aclamada Fantasia Medieval.
As vezes me sento ao lado do meu precipício pessoal de reflexões durante/entre alguns
E eu sinceramente acho que é um pouco de ambos. Com as minhas clássicas pretensões de grandeza, posso falar que sou uma pessoa 'velha'. Já recebi bastantes perguntas estranhas na minha vida, sobre qual é a minha patente nas forças armadas, se eu sou historiador, se eu já usei armas de fogo, se eu coleciono armas de fogo e finalmente se eu sou aposentado. Respectivamente, é nenhuma, não, não, não e não.
Mas voltando ao assunto, eu acho que todo os jogo(s) de RP(-G) ou até mesmo RPG que não tenham um elemento central que vá contra esses detalhes... Deviam adotar um pouco de Call of Cthulhu e/ou Dark Heresy. Eu não falo do sistema. Ou da ambientação. Embora abranja um pouco nisso também.
Humanos esquecem que são humanos. Homo Sapiens está entre algumas das espécies mais patéticas já geradas pela natureza quando se refere ao meio físico. E em relação as personalidades... Argh. Eu queria saber quem foi o idiota que inicialmente considerou caricaturas como bom personagens. A maioria dos personagens por aí são caricaturas de alguma coisa ou outra. É como se no teste de personalidade colocassem cinco em metade e zero na outra metade. E tirando esse problema inicial ainda existem os problemas secundários. Ou, como eu os chamo "Humano demais para ser humano" (protagonista de comédia romântica da sessão da tarde) ou "Humano de menos para ser humano" (monstro de filme trash). Mas talvez esteja atirando no alvo errado. Tais personagens tem potencial (por mais pequeno que seja) , pois tudo tem. Nas mãos de alguém que saiba utilizar esse potencial, personagens brilham. Mas onde estão essas pessoas, hein? Acho que tendo a sua sessão de RP(-G) ultra secreta nas catacumbas italianas de um castelo Normando do século 7 antes de cristo na parte da Sibéria que pertence a Polônia sob o sol da meia noite.
E o mundo não é tão bonitinho quanto as pessoas o consideram. Alguns cenários me enojam simplesmente pelo fato que eles são "Perfeitos de mais para funcionarem". São futuros/passados/fantasias tão utópicos que nunca poderiam existir enquanto os humanos continuem os mesmos. E advinha? Continuam. Eu nunca fui um expert em empatia (muito pelo contrário. Sou um bastardo insensível) mas humanos não se comportam daquele jeito e nunca comportariam.
E depois existe a questão das raças não-humanas (quando aplicável) ou 'subhumanos' ou 'demihumanos' ou 'transhumanos' ou 'poshumanos' seja lá o que você chama eles de.
Se pergunta para o Tolkien: O que é um elfo?
Tolkien responde: É uma criatúra bípede imortal superior em todos os aspectos a um humano, a primeira raça a ser desenvolvida que testemunhou o nascimento do mundo.
Se pergunta a Gary Gygax: O que é um elfo?
Gary Gygax responde: Depende da edição. Antigamente eram guerreiros e magos combinados. Mas depois que o jogo virou AD&D viraram '+2 Destreza, -2 Constituição.' Na terceira edição ganharam mago como classe favorecida, apesar de não terem nenhum benefício como magos e sua constituição inferior atrapalhar mais ainda o dado de vida risório dos magos.
Ou simplesmente: Nada. O que diferencia um elfo de um humano em 99,412% dos cenários? Orelhas pontudas, alguns modificadores (alguns invisíveis) em algumas coisas e só. Eles continuam sendo humanos. Só que com mais tempero. Alguns tem mais tempero (Como os do Tolkien) e outros tem menos (como os de D&D). Mas continuam sendo humanos temperados. Até mesmo os malditos deuses continuam sendo humanos. Pois não podemos criar nada que não seja humano de uma maneira ou outra. Criaturas mitológicas sencientes? Também humanas.
E nos realmente precisamos de criaturas sencientes não-humanas? Olhe no maldito mapa mundi, por favor. Pause o mundo em exatamente Anno Domni 1000. Pegue um nativo americano, um chinês, um mouro, um francês e um novgrodiano. Dê um CTRL+F e troque 'nativo americano' por Elfo, mouro por 'Orc', chinês por 'Gnomo', francês por 'Halfling' e novgrodiano por 'tielfing'.
Pronto. Você tem as suas raças para seu cenário genérico. Mas é claro que ao invés disso você pode usar nativo americano, chinês, mouro, francês e novgrodiano. Não vai fazer a mínima diferença. (A não ser quando estiver fazendo árvores genealógicas). Mas se é assim, porque as pessoas gostam tanto de raças?
Porque são fáceis. Pega isso, mistura com isso, chama de elfo. Pronto.
Porque elas são user-friendly. Um elfo tende a ser sempre um elfo, com algumas alterações.
Porque pessoas já tem preferências. Um convite de jogo foi recusado com (exatas palavras) 'Não posso usar meu anão'. Esse tipo de similaridades entre cenários permite copycat de personagens com pouquíssimas adaptações.
Mas estou falando que raças são inerentemente ruins e deveriam ser purgadas da face da Terra no nome do Deus-Imperador da Humanidade? EXAT- Não!
Se quer ver algo com raças bem feitas, vá ler os livros de Andrzej Sapkowski ou jogar o(s) excelente(s) The Witcher e/ou The Witcher 2. Além de ter a melhor ambiguidade ética desde Fallout quando se trata de jogos, tem um cenário magnificamente fantástico mas não no sentido que tem fadas voando por aí. É como Dragon Age. Só que não teve metade escrito por um adolescente prestes a suicidar e metade escrito por um adolescente apaixonado.
Blergh. Bloody disappointing.
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