Entrei na taverna. Era a mil milionésima milésima duocentésima décima ter- ((Agora eu me lembro porque não uso mais Portugûes.)) Todos os elementos estavam lá.
O velho na taverna estava sentando em um canto, com um manto puído e um cajado tosco. Podia-se ver um ponto de exclamação enorme e amarelo sobre sua cabeça com o menor fiapo de imaginação.
Tinha um cara pálido vestido de preto em outro canto. Um caneco cheio de conhaque estava encime da mesa. O capuz cobria boa parte de seu rosto. Era um vampiro ou um necromante ou um invocador qualquer. Nada de anormal.
O taverneiro estava atrás do balção secando um caneco. Tinha um aspecto meio flácido, apesar de ter ombros fortes e largos. Algo estava estranho. Ele não pertencia ali. Como se ele fosse de um outro lugar completamente.
E haviam um grupo de três pessoas barulhentas, junto à escada. Mercenários. Canecos semi-vazios e sobras de comida estavam na mesa. Meio pão. Sete pedaços de lingüiça. Não haviam pratos. Estranho.
O mais velho deles colocou os pés sobre a mesa, suas botas enlameadas sujando a mesa. Botas enlameadas? Deveras estranho. Eles não estavam bem vestidos. Nem usando armadura. Estavam com roupas normais de linho resistente. Talvez tenham sido usadas umas duas semanas sem serem lavadas.
O mais velho deles reclamou de como antigamente haviam menos saqueadores nas estradas, os impostos eram menores e não haviam três conscrições por ano. O mais jovem falou que o Conde pagava bem. Que queria se tornar membro da milícia, servir o Conde e parar de trabalhar no campo por uma mixaria. O outro homem, silencioso até agora bateu com o copo na mesa. Lhe faltava o braço direito - seu ombro estava coberto por ataduras. Boa parte de seu antebraço esquerdo estava enfaixado. Os outros homens o fitaram por um momento. Após dez segundos, voltaram a comer em silêncio total. Ele olha para o copo indecisamente. Copo? Observei a fumaça se levantando dele. Alguma espécie de chá.
O cara pálido vestido de preto se levantou, reclamando se azar nos dados, no amor e na bebida. Tropeçou, caiu e praguejou. Disse meia dúzia de palavras em relação a ressaca e passou ao meu lado como se não existisse. Não era um vampiro, necromante ou invocador. Era um cara azarado com ressaca. E talvez uma febre.
Olhei para o velho. Meu único reduto após isso. Pareceu balbuciar meia dúzia de palavras. Olhei seu chapeu. Maior do que necessário. Não era um questgiver. Era um mago. Só então percebi que estava dormindo.
Então realizei algo terrível. Eu não conhecia aquele lugar. Ele me era estranho. Hostil. Pedi bençãos a meia dúzia de deuses e saí correndo daquela taberna caótica.
É muito engraçado como os clichés são tão contundentes hoje em dia. Clichés e Gary Stus e Mary Sues. As vezes eu ando por jogos de RPG aleatórios em alguns jógos pseudo-sérios de RPG pela internet. E só achei horrores Lovecraftianos.
Sabe. Aqueles personagens que você olha para eles e já sabe que eles são uma afronta a realidade e a tudo que pertence nela. Que são uma afronta a seu entendimento e sua racionalidade pois você não consegue conceber o conceito da existência deles. Mas você sabe que existe apenas uma coisa a fazer. Precisa destruí-los. Para que o mundo volte a fazer sentido.
Vamos apenas falar que perdi alguns pontos de sanidade e explodi algumas cabeças.
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